20/05/2007

Avé Maria
Volvo o rosto para o teu afago,Vendo o consolo dos teus olhares...Sê propícia para mim que trago Os olhos mortos de chorar pesares.
A minha Alma, pobre ave que se assusta,Veio Encontrar o derradeiro asilo No teu olhar de Imperatriz augusta,Cheio de mar e de céu tranqüilo.
Olhos piedosos, palmas de exílios,Vasos de goivos, macerados vasos! Venho pousar à sombra dos teus cílios, Que se fecham sobre dois ocasos.
Volto o peito para as tuas Dores E o coração para as Sete Espadas...Dá-me, Senhora, para os teus louvores, A paz das Almas bem-aventuradas.
Dá-me, Senhora, a unção que nunca morre Nos pobres lábios de quem espera: Sê propícia para mim, socorre Quem te adorara, se adorar pudera!
Mas eu, a poeira que o vento espalha,O homem de carne vil, cheio de assombros, O esqueleto que busca uma mortalha,Pedir o manto que te envolve os ombros!
Adorar-te, Senhora, se eu pudesse Subir tão alto na hora da agonia! Sê propícia para a minha prece. Mãe dos aflitos...
Ave, Maria.



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